UM JEITO DE SER CHAMADO “EMMANUELLE”A rapaziada mais jovem muito provavelmente desconheça, porém certamente os trintões e quarentões (e outros “ões” a mais) com certeza devem se lembrar dos filmes da exuberante, esguia e sensual Emmanuelle que foram um frisson da rapaziada nos anos 70 principalmente. Na telona, sua encarnação mais famosa ficou a cargo da atriz holandesa Silvia Kristel que deixou ligado para sempre seu nome ao da personagem, algo como Sean Connery e James Bond. Silvia Kristel, versão única da personagem
Emmanuelle é uma personagem criada pela escritora Emmanuelle Arsan no seu livro “The joys of woman”, na realidade uma autobiografia em que narra diversas aventuras sexuais. A primeira versão do livro e conseqüentemente da personagem é de 1969 e teve a atriz Érika Blanc, mas foi na versão de 1974 já com Silvia Kristel que a personagem se consagrou. O filme na ocasião, erótico, quase beirando o explícito, assumiu sua linha e a classificação rigorosa para adultos, o que obviamente foi um tremendo sucesso de bilheteria. O filme que contava as experiências de Emmanuelle em viagens por alguns lugares do mundo mostrava seqüências envolvendo exibicionismo, gangbang, masturbação, pompoarismo (sabe o que é? Procura no google, amigo!) entre outras fantasias. E claro, há a clássica seqüência da transa no avião. Muito falada na época do seu lançamento.
O filme obviamente gerou continuações, também com Kristel como a protagonista. Nos anos 80, uma nova atriz encarnou Emmanuelle, ou uma outra Emmanuelle, Monique Gabrielle, e por aí então se seguiram vários outros filmes, aonde a sensual personagem chegou a estrelar séries eróticas para tv a cabo e filmes para tv. A atriz Krista Allen ( do seriado Baywatch) chegou a protagonizar a série Emanuelle in Space (uma versão ficção científica, óbvio, vale a curiosidade erótico-trash, bem, tudo a mesma coisa!). E a mais famosa das Emmanuelles, chegou a ter a participação em alguns dos episódios da série de tv a cabo, como a primeira “Emmanuelle”, mestra da “Emmanuelle” aprendiz, bem, essa parte, acho que dispensa maiores explicações, pois a essa altura do campeonato, a personagem original já tinha se diluído em franquia.
Nos anos 90, a Rede Bandeirantes, aos sábados de madrugada, exibiu uma boa quantidade de filmes, tanto dos novos de cinema, quanto os dos seriados pra tv a cabo dentro do programa Cine Band Prive. Quem viu, pode conferir. Mas cá entre nós, os filmes estrelados pela belíssima Silvia Kristel são hoje clássicos do cinema erótico e imbatíveis. O resto é resto.
O Brasil, nos anos 70, aproveitando o embalo do sucesso do filme, o diretor Renato Tapajós dirigiu em 1977 “Emanuelle Tropical” tendo Monique Lafond como protagonista. O filme trazia ainda a bela Selma Egrei e Tânia Alves. O desenhista Guido Crepax, criador da Valentina, também levou para os quadrinhos a obra de Emmanuelle Arsan, dentro de sua belíssima arte, sua estética moderna e arrojada de contar uma história em quadrinhos. Esse trabalho foi publicado recentemente pela editora Pixel, em um primeiro volume, Crepax que é um mestre absoluto no gênero erótico e criador de musas absolutas dos quadrinhos, como a própria Valentina, tornou sua versão em quadrinhos, uma obra indispensável para fãs do gênero e é claro, não fãs também.

Versão nos quadrinhos de Emmanuelle
pelas mãos do mestre Guido Crepax
O último filme da personagem, é de 2004, “Emmanuelle the private collection: Emmanuelle vs. Drácula”, exatamente isso. Bem, deixemos qualquer comentário à mais de lado, é melhor. Porém, amigos, confesso a vocês que jamais assistiria por livre e expontânea vontade, mas a curiosidade trash, deixa uma ponta de curiosidade. O filme dirigido por KLS (como?) e tem Natasja Vermeer encarnando a nossa heroína erótica.
Como vocês puderam perceber um livro autobiográfico escrito no final dos anos 60, acabou se tornando algo maior que o esperado, a própria protagonista acabou se tornando um gênero feminino livre, solto, pronto para todas as formas possíveis de experiências eróticas, desde viajar por países exóticos como Tailândia (do primeiro filme de 1974) até ir para o espaço ou mesmo encarar o rei dos vampiros.

O que o tempo reserva para Emmanuelle? Frase de efeito, mas carregada de verdade: só o tempo dirá... e os produtores, sem dúvida.