
No último dia 08 de agosto, o Brasil e em especial nossas Histórias em Quadrinhos perdeu um dos seus grandes mestres: EUGENIO COLONNESE.
Sua morte foi decorrência da falência múltipla de órgãos. Colonnese, um tremendo fumante, fora internado há aproximadamente dois meses vítima de AVC.
Italiano, radicado no Brasil há quarenta anos, produziu quadrinhos inicialmente na Argentina e em meados dos anos sessenta, já em nosso país, começou a produzir uma infinidade de quadrinhos de terror, consolidando o gênero. Colonesse trabalhou também produzindo muito material didático e publicitário. Mas sem dúvida nenhuma, entre várias criações e contribuições para Nona Arte, talvez sua maior seja a personagem Mirza, deliciosa e sensual vampira que produziu por mais de quarenta anos e que segundo informações da imprensa especializada, ainda com hq’s inéditas o qual, aguardamos ansiosos que logo sejam publicadas.
Na verdade, estou postando aqui, no fotologue da Tianinha essa minha singela, mas plenamente verdadeira homenagem a esse grande mestre por um motivo muito simples: tive a honra de ter a minha querida e safada loira desenhada pelas mãos do mestre na edição número 69 da revista “Total” de abril de 2006, com roteiro do Dark Marcos, a hq “Dando ... um cochilo” mostrava mais uma armação da Mel Portugal sobre a Tianinha.
Já conhecia há algum tempo Colonnese e nesse período eu estava chamando algumas feras das hq’s nacionais para desenharem histórias da personagem para sua série e assim foi com Mozart Couto, Emir Ribeiro, Seabra, Paulo Yokota e óbvio, não poderia faltar justamente nosso querido Colonnese, dono de um elegantíssimo traço, bonito e principalmente criador de belos exemplares de fêmeas de papel. Na ocasião, tinha na minha cabeça a certeza de como ele desenharia a Tianinha e aproveitei a oportunidade de ver como ele faria outra beldade da série, a Mel Portugal, juntando ambas em roteiro do Dark.
Colonnese satisfez todas as minhas expectativas desenhando uma Tianinha sensual, carnuda, bonita, como ela deve ser e como o mestre sempre soube fazer com suas mulheres de papel. Claro, que o mesmo se estendeu a Mel Portugal. No traço do mestre, mesmo a antagonista Mel acaba caindo no agrado de todos.
Colonnese se foi e nos deixa um legado de simplicidade e extremo talento. Não vou chorar aqui mágoas pra falar de um artista que não foi reconhecido, nada disso. Logicamente o Brasil pode não ter dado o merecido mérito à arte desse italiano mais que brasileiro, mas mesmo assim o mestre pode nos deixar uma vasta galeria para matarmos a saudade e aprendermos sempre com ele.
Por fim, vale contar a oportunidade em que Colonesse desenhou a hq da loirona, quando fui pegar os originais com ele na escola em Santo André, aonde lecionava desenho e ele mostrou-me alguns originais feitos a lápis 6b e em especial o de uma deusa morena, sensualíssima, nua entrando no mar e que por um breve momento se volta, nos olhando nos olhos.
Confesso a vocês que fiquei pasmo ante tanta beleza desenhada. Quase nervoso por segurar aquele original, e profundamente emocionado como se estive vendo a arte de um mestre da renascença, um Michelangelo, um Rafael, que com certeza Colonnese deve estar junto deles há essa hora.